O Pensamento de Anselmo de Cantuária
A
centralidade do pensamento de Anselmo está dominado pela ideia de Deus. Por
isso, busca distinguir em suas obras a existência de Deus e sua natureza. Assim,
na obra Monologion procura as provas
da existência de Deus a posteriori, para depois, em sua mais
importante obra, Proslogion demonstrar a existência de Deus
a priori, surgindo um argumento
definitivo de sua existência, posteriormente denominado por Kant como argumento
ontológico.
Nessa
busca, para provar a existência de Deus, Santo Anselmo traz, primeiramente, as
provas a posteriori da existência de
Deus, que são obtidas a partir do mundo. Assim, Anselmo afirmava que se as
coisas são boas, é porque existe uma bondade absoluta, Deus. De igual modo,
considerava que a grandeza da natureza do objeto deriva de uma grandeza maior,
Deus. Acrescenta ainda, que se existem as coisas, deve haver um ser supremo do
qual todas derivam, Deus, pois do contrário, o nada geraria o nada. E, por fim,
salienta que se existem vários graus de perfeição, qualidades do que é perfeito
em seu gênero, é porque existe a suma perfeição, Deus.
A
partir dessas provas, Anselmo tentava mostrar a seus leitores a existência de
Deus, contudo isso não era suficiente para ele. Anselmo então começa a
desenvolver uma tese, cujo teor pudesse revelar aos interlocutores, de maneira
simples, a prova a priori da
existência de Deus. Então ele escreve o Proslogion,
sua mais preeminente obra, onde propõe seu argumento.
Tendo
uma fé imensurável, Anselmo acreditava que deviríamos crer para compreender, se
colocando como parte ínfima da criação, que não pretende, e nem mesmo se julga
capaz de compreender a profundidade de Deus, para ele, o importante é apenas crê,
para que um dia possamos conhecer e compreender os desígnios de Deus.
A partir desse pensamento, começa a ser desenvolvido o argumento
definitivo, que tinha por objetivo satisfazer o intelecto daquele que crê, e
não do insensato que não possui sapiência . Surge então, seu célebre argumento,
que consistia na certeza que Deus é aquilo do qual nada de maior se pode pensar
(Id quo maius cogitari nequit).
O argumento era tão perfeito em sua concepção que, para
Anselmo, até os mesmo os insipientes de que ele
falava, pensavam nele, pois ao pensar Deus, mesmo que no intelecto,
estavam assegurando que existe um ser do qual nada se pode pensar maior, do
contrário, não pensaria nem negaria sua existência.
Dessa forma, Santo Anselmo nos mostra que o divino não
pode deixar de existir, e se nossa mente é capaz de pensar na não existência de
um ser, do qual tudo depende, ela mesma nos dá testemunho de sua realidade, visto
que tudo depende de Dele. Se Deus fosse efêmero, incerto, até poderíamos pensar
em sua não existência, como essa não é a situação de Deus, logo, Ele deve
existir.
Assim, Santo Anselmo nos deixa um legado de certezas
quanto a Deus, tendo em vista que seu argumento tem como pilar principal a fé,
pois é ela quem concebe Deus como ser supremo, perfeito em sua concepção, não
podendo existir nada maior que Ele. Desse modo, a prova de sua existência parte
de nossa própria razão, pois se pensamos em Deus como a perfeição em todas as
virtudes, é de se presumir que existência também seja uma delas, portanto, fica
comprovado que não há outro caminho que não aceitar essa prova a priori da existência de Deus.
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