sexta-feira, 19 de junho de 2015

O Pensamento de Anselmo de Cantuária

            A centralidade do pensamento de Anselmo está dominado pela ideia de Deus. Por isso, busca distinguir em suas obras a existência de Deus e sua natureza. Assim, na obra Monologion procura as provas da existência de Deus  a posteriori, para depois, em sua mais importante obra,  Proslogion demonstrar a existência de Deus a priori, surgindo um argumento definitivo de sua existência, posteriormente denominado por Kant como argumento ontológico.
            Nessa busca, para provar a existência de Deus, Santo Anselmo traz, primeiramente, as provas a posteriori da existência de Deus, que são obtidas a partir do mundo. Assim, Anselmo afirmava que se as coisas são boas, é porque existe uma bondade absoluta, Deus. De igual modo, considerava que a grandeza da natureza do objeto deriva de uma grandeza maior, Deus. Acrescenta ainda, que se existem as coisas, deve haver um ser supremo do qual todas derivam, Deus, pois do contrário, o nada geraria o nada. E, por fim, salienta que se existem vários graus de perfeição, qualidades do que é perfeito em seu gênero, é porque existe a suma perfeição, Deus.
            A partir dessas provas, Anselmo tentava mostrar a seus leitores a existência de Deus, contudo isso não era suficiente para ele. Anselmo então começa a desenvolver uma tese, cujo teor pudesse revelar aos interlocutores, de maneira simples, a prova a priori da existência de Deus. Então ele escreve o Proslogion, sua mais preeminente obra, onde propõe seu argumento.
            Tendo uma fé imensurável, Anselmo acreditava que deviríamos crer para compreender, se colocando como parte ínfima da criação, que não pretende, e nem mesmo se julga capaz de compreender a profundidade de Deus, para ele, o importante é apenas crê, para que um dia possamos conhecer e compreender os desígnios de Deus.
              A partir desse pensamento, começa a ser desenvolvido o argumento definitivo, que tinha por objetivo satisfazer o intelecto daquele que crê, e não do insensato que não possui sapiência . Surge então, seu célebre argumento, que consistia na certeza que Deus é aquilo do qual nada de maior se pode pensar (Id quo maius cogitari nequit).
              O argumento era tão perfeito em sua concepção que, para Anselmo, até os mesmo os insipientes de que ele  falava, pensavam nele, pois ao pensar Deus, mesmo que no intelecto, estavam assegurando que existe um ser do qual nada se pode pensar maior, do contrário, não pensaria nem negaria sua existência.
              Dessa forma, Santo Anselmo nos mostra que o divino não pode deixar de existir, e se nossa mente é capaz de pensar na não existência de um ser, do qual tudo depende, ela mesma nos dá testemunho de sua realidade, visto que tudo depende de Dele. Se Deus fosse efêmero, incerto, até poderíamos pensar em sua não existência, como essa não é a situação de Deus, logo, Ele deve existir.
              Assim, Santo Anselmo nos deixa um legado de certezas quanto a Deus, tendo em vista que seu argumento tem como pilar principal a fé, pois é ela quem concebe Deus como ser supremo, perfeito em sua concepção, não podendo existir nada maior que Ele. Desse modo, a prova de sua existência parte de nossa própria razão, pois se pensamos em Deus como a perfeição em todas as virtudes, é de se presumir que existência também seja uma delas, portanto, fica comprovado que não há outro caminho que não aceitar essa prova a priori da existência de Deus.

Nenhum comentário:

Postar um comentário